menu degustacao tete a tete restaurante

Menu Degustação – Com Crise, Sem Crise

Folha de S. Paulo
JOSIMAR MELO

Para imaginar o que nos reserva o ano que entra, nada como uma olhada para o ocorrido no que passou. E, para o público —talvez nem tanto para os empresários do ramo—, a gastronomia de São Paulo mostrou boas novidades, em contraste com a irritante paralisia econômica provocada pela esfera política.

No cenário dos restaurantes, o que houve foi o recrudescimento de uma tendência que se reforça nos últimos anos: a do surgimento de casas que investem mais na ideia do que no luxo, buscando inspiração nos ingredientes e sabores brasileiros e servindo uma cozinha mais acessível, mas não menos elaborada.

São bons exemplos —somente entre os que abriram em 2015— o Manioca, da turma do Maní, o Lambe-Lambe, dos donos do Modi, e o Arimbá, de cozinha caipira.

Poderia parecer que restaurantes mais informais e baratos seriam o resultado da crise. Mas, na verdade, começaram a surgir num momento diferente: o dos anos de otimismo com a economia brasileira, de crescimento do mercado consumidor, de maior autoestima e consequente valorização dos produtos nacionais.

Não diria que essa afirmação de valores locais tenha produzido reflexos de qualidade estética em todos os campos —na música, por exemplo, não me parece. Contudo, na gastronomia só temos a comemorar.
Se a crise perdurar, por coincidência esse modelo terminará sendo adequado. Podemos prever que este caminho siga sendo trilhado.

Mas não quer dizer que a alta gastronomia tenha sido abandonada. Em 2015, vimos a abertura do precioso Tête à Tête (leia na pág. 66), a volta de dois grandes chefs —Laurent Suaudeau, no Kaá, e Pascal Valero, no restaurante com seu sobrenome—, o grupo Fasano abrindo nova casa (Parigi Bistrot) e um italiano de cozinha sofisticada (Nino Cucina).

Enfim, tivemos para todos os gostos. E, se o pessoal da área for esperto, 2016 será um ano em que se poderá fazer do limão belas limonadas.